As palavras de Fernando Gomes da Costa – Voz de Coimbra

Apresentação Iniciativa Liberal Coimbra - Fernando Gomes da Costa
“Acredito firmemente que a IL trás consigo um sinal de esperança, uma marca de diferença, com  gente que não propagandeia soluções mágicas nem promessas miríficas, mas que pode e vai ser um catalizador para que se comece a pensar fora da caixa, mas com bom senso, e ousadamente mas com os pés bem assentes.”

Gostaria de começar por vos dizer que, devido a razões que se prendem sobretudo com imprevistos da vida privada, não cheguei nunca (ou ainda) a ser militante da IL. Contactei apenas por diversas vezes com elementos seus no âmbito da pura e simples troca de ideias.

Por isso, quando no início de Agosto, o Carlos Boto me convidou para vir fazer esta apresentação, além de grandemente honrado, fiquei sobretudo surpreendido pela escolha. Mas ao mesmo tempo isso reforçou em mim a ideia de a IL traz algo de diferente: na verdade, não creio que seja muito habitual a nível da política tradicional convidar pessoas para falar num evento partidário sem que sejam militantes ou, pelo menos, sem lhes pedir para defender determinados pontos de vista, sem passarem por um processo de fidelização, ou sem sequer previamente terem de informar o que vão dizer. A mim, apenas me foi solicitado que fizesse uma breve exposição sobre por que penso valer a pena lutar por Coimbra. Como verdadeiros liberais, deixaram sentir-me livre e que o expressasse como entendesse. Achei isso admirável e, mais do que tudo, significativo. 

Pelo que ao longo dos anos me foi dado ver, as organizações políticas são muito mais adeptas de que sejam as ideias a possuir as pessoas do que as pessoas a possuir ideias. Mas tudo indica que aqui se respira um ar diferente: há objetivos específicos obviamente, mas a criatividade e a liberdade são comprovadamente consideradas ferramentas importantes. Foi esse um dos principais motivos por que aceitei estar aqui hoje.

Mas para vos dizer porque acho que vale a pena lutar por Coimbra, penso que a melhor maneira é explicar porque durante tanto tempo perdi e vontade de lutar por Coimbra: 

Vivo aqui há 61 anos, desde os meus 6, quando iniciei a escola primária. Desde sempre me lembro da imagem de Coimbra como cidade do Conhecimento, da Universidade, incubadora de pensadores, de vultos marcantes na vida de Portugal, e de influência no Poder. No entanto, e creio que aqui está a raiz do problema, todo este status quo foi criando também poderes instalados, figuras paternalistas, instituições intocáveis, hierarquias e comportamentos rígidos que, apesar de tudo, numa época em que as coisas corriam devagar e prevalecia um conservadorismo esclerosante, conseguiam ainda manter uma imagem de prestigio e dinâmica.

Mas quando as alterações radicais das sociedades, das suas aspirações e necessidades começaram a suceder cada vez mais intensa e rapidamente por todo o lado, Coimbra foi aos poucos ficando progressivamente mais acomodada à sombra do seu nome e num convencimento de que o mundo ainda girava à sua volta. E este torpor, salvo raros momentos, foi também projetado na política ao longos dos anos: um poder fechado, confidencial, sem estimular os cidadãos ou muito menos convocá-los para um projeto comum, alimentando-se de tricas, de amiguismos, e invejas. Só assim foi possivel chegar a uma cidade decadente, onde os jovens ainda passam mas normalmente não ficam, sem quase tecido industrial, onde o que de bom vamos tendo, como a pesquisa e inovação tecnológica, não é devidamente estimulado ou libertado, onde tudo o que não é tutelado pelo mainstream institucional, muitas vezes utilizando o eufemismo de “apoiar”, ainda é visto com desconfiança. 

Por isso se continua a achar, por exemplo, que o povo de Coimbra prefere aeroportos fantasma em vez de um Choupal dimensionado e vocacionado para os cidadãos, que se satisfaz com um eterno e adiado metro de superfície e não sente falta de uma verdadeira zona industrial e tecnológica, e se conforma com arranjos e remendos em vez de reclamar infraestruturas que lhes facilitem a vida, proporcionem lazer com qualidade e estimulem a produtividade. Por tudo isto, desde há muito que praticamente deixei de acreditar em Coimbra e penso que foi também esse sentimento que levou muitos conimbricenses a esta letargia acomodada ou, quando muito, a este contentamento descontente que tem proporcionado uma impunidade cómoda a  um pequeno grupo dominante. Cansámo-nos de esperar por coisas óbvias como uma estação de comboios funcional ou uma margem do Mondego aprazível e feliz, deixámos de sentir que a cidade precisa de nós em vez de não querer ser incomodada e, sobretudo, desistimos de acreditar que nós, cidadãos, podemos fazer a diferença, podemos ser ouvidos e ser atores na construção de uma cidade que amamos mas que se tornou uma bela adormecida. 

Se me pedirem para vos dar um símbolo do que tem sido a gestão de Coimbra, escolheria um local que todos os dias atravesso para ir para casa: o inenarrável túnel da Estação Velha. Está lá tudo: a desadaptação, os anos de impasse, a preguiça de resolver,  a mentalidade do “assim serve”, o chico-espertismo dos que se afoitam para passar à frente, o estrangulamento dos movimentos, a resignação dos que esperam, os acidentes evitáveis, a falta de vergonha. Um túnel com luz ao fundo, mas sem fim.

Ora é precisamente por tudo isto, porque podemos acabar com esta descrença acumulada, com esta inação institucionalizada, porque devemos e sentimos que está  ao nosso alcance criar uma comunidade de conimbricences e não de coimbrinhas, de gente que pensando de modos diferentes tenha um objetivo comum, de cidadãos realizados e felizes, que vale a pena lutar por Coimbra.

Acredito firmemente que a IL trás consigo um sinal de esperança, uma marca de diferença, com  gente que não propagandeia soluções mágicas nem promessas miríficas, mas que pode e vai ser um catalizador para que se comece a pensar fora da caixa, mas com bom senso, e ousadamente mas com os pés bem assentes.

Numa época em que o panorama político e das ideias continua a ser perspectivado e aceite apenas numa dicotomia entre esquerda (hoje dominante e cada vez mais arrogante e intolerante) e direita (ontem esclerosada e hoje decadente e sem rumo), ser liberal é algo ainda visto como um corpo estranho para a maior parte das pessoas, combatido pelo establishement com mitos e conceitos falsos, procurando colar-lhe um rótulo negativo e utilizado frequentemente como intimidação. Mas é também por isso mesmo que ser liberal hoje em dia configura pelo menos duas coisas: ser diferente do habitual e ter coragem de ser algo que não é cómodo, nem garante benesses ou imunidades. E isso representa qualidades muito mais importantes que defender apenas ideologias que são sempre redutoras: significa não ter medo de pensar, vontade de atuar e significa carácter.

E além do mais será será bom termos na autarquia pessoas cuja motivação seja o dever em vez do poder, e o objetivo seja o fazer e vez do permanecer.

Por isso, e como conimbricense veterano que se recusa a ficar velho, vos agradeço a vossa disponibilidade, vontade e sentido de missão. No que eu puder e vocês quiserem, podem contar comigo.

Muito obrigado!

Resumo da apresentação da candidatura autárquica 2021 da Iniciativa Liberal Coimbra – João Cotrim de Figueiredo e Tiago Meireles Ribeiro


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